O Mar da Vida


 "... Severino, retirante, jamais cruzei a nado; quando a maré esta cheia vejo passar muitos barcos, barcaças, alvarengas, muitas de grande calado..." (Morte e Vida Severina. João Cabral de Melo Neto.1955.)

A vida é uma arte da qual somos meros coadjuvantes espelhando sentimentos e emoções, que as vezes como um barco parece velejar perdido no mar da solidão ou talvez no próprio mar de vida finita, somos eternos em coração e extinguíveis como um sopro de vento que balança as velas nos levando cada vez mais longe de terras conhecidas, para aguas que talvez um dia nem sonhamos em desbravar.

"Vou pensando no mar, que daqui ainda estou vendo; em toda aquela gente numa terra tão viva morrendo. Através deste mar vou chegando a São Lourenço, que de longe é como ilha no horizonte de cana aparecendo; através deste mar, como um barco na corrente..." (O Rio. João Cabral de Melo Neto.1954).

Assim como o mar quero poder encontrar caminhos que me levem ao longe, que eu possa velejar como um barco perdido no meio da imensidão azul e que consiga encontrar no meio de muitas viagens corações que são lares e abraços que são abrigos, para onde eu deseje regressar, quando meu corpo cansado, já não tiver mais forças para velejar e eu encontre o repouso no mar chamado amor.

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